A vida no Japão

10 coisas que os japoneses odeiam nos brasileiros


Se você já conheceu algum estrangeiro já ter sentido alguma diferença. Já percebi que as vezes é uma diferença pequena como a ordem de colocar açúcar no café ou o costume de tirar os sapatos antes de entrar em casa (bem que esse é um costume que vejo muitos fazerem aqui no Brasil também. Sou um deles). Acho lindo isso. É curioso perceber essas diferenças e fica ainda mais prazeroso quando encontra as semelhanças.

Com tantos turistas para as olimpíadas eles devem ter sentido isso na gente também. Visto de fora, a gente é conhecido como um povo alegre. Tenho super orgulho disso. Os gringos piram quando passeiam as ruas de Olinda ou sentam em algum barzinho na praia de Pipa. A gente canta, grita, é um povo que valoriza as emoções e adora externalizar isso. Esse é o nosso diferencial.

Contudo, há uma linha que não pode ser cruzada. A diferença não pode gerar incômodo.

É o famoso bom senso. Por mais que a gente se policie e tenta pensar no próximo, você acaba cometendo algum gafe. Será que você pode acabar pisando na bola? Esse texto é para te ajudar a se policiar para poder conquistar o seu lugar merecido e se enturmar com os japas.

1. Time manner

Seja pontual. Nesse texto sobre dicas profissionais no Japão citei que eles trabalham com 5 min de antecedência nas coisas. Chegar atrasado é tão mal visto quanto você passear com o seu cachorrinho e deixar cocô na rua. Não cague com a sua reputação.

2. Responsabilidade

Iinogare 【言い逃れ】na tradução literal seria você “fugir com palavras”. Ou seja, se safar soltando desculpas. Ninguem gosta de gente assim. Pessoas erram e não tem nenhum problema nisso. O problema é não assumir e jogar de baixo do tapete. Assuma o erro, peça desculpas, e diga como você pode fazer melhor na próxima.

Acontece também de as vezes você não ter a culpa diretamente. Foi o fulano da sua equipe que fez besteira. Faz parte. No japão tem uma palavra chamada Rentai Sekiinin 【連帯責任】 que significa “responsabilidade do coletivo”. Consciência coletiva é na subida e na descida.

3. Guru-pu Koudou

Falando um pouco mais da Consciência coletiva. Eu fico orgulhoso da gente estar valorizando cada vez mais isso no Brasil. Dando espaço para bicicleta, etc. Japoneses praticam o senso coletivo há anos. Uma história que gosto bastante é de uma senhora, na fila para pegar os suplementos numa cidade devastada pelo tsunami no nordeste do Japão. Cada um ganhava duas garrafas de água. Sabendo que não precisaria de dois, ela devolveu um por não precisar de tanta água assim. Isso é belo. É o melhor do ser humano.

Na prática, isso quer dizer ajudar e evitar incomodo. Tá fazendo um projeto e sabe que a outra pessoa precisa disso pronto pra trabalhar? Foca nele. Tá no horário de almoço e tem gente na fila esperando para comer? Assim que terminar, já sai para liberar espaço. Faça o mundo girar melhor graças a você.

Na vida pessoal

4. Urusai! Cuidado com barulho

Talvez algo que os brasileiros acabam se descuidando. O sangue latino fala alto nas horas de emoção. Ao contrário, os japoneses costumam falar baixo. Pode chegar a assustar as pessoas e dependendo do lugar, principalmente em lugares públicos, chega a ser mal educado.

Cuidado para não levar um Urusai 【うるさい】que seria um belo de um “cale a boca”.

5. Falar no telefone

 

Puxando o gancho de ser barulhento, uma novidade: É mal educado você falar no telefone dentro do trem, ônibus, etc. Porque é um lugar fechado e acaba incomodando, é o pensamento deles. Tente utilizar mensagens, e se realmente for urgente, coloca a mão na boca ao falar numa tentativa de abafar a voz. Pelo menos mostra que você está consciente do erro. 

O som no fone de ouvido também pode acabar incomodando. Eles tem uma palavra específica para isso: Otomore【音漏れ】que é quando o som acaba escapando do fone de ouvido.

6. Festinhas em casa

Na minha percepção, os japas adoram fazer um home party. Ou simplesmente comprar umas bebidas e ficar bebendo em casa. O bom senso vai nessas horas também. Alguns apartamentos no Japão costumam ser bem finas comparadas ao daqui, a maioria de tijolo. Já vi um apartamento que usava tipo de material prensado que se você tentar, conseguiria arrombar com socos. Não precisa ser um Hulk para invadir o vizinho.

Não chega a escutar as conversas nem o som da TV do vizinho, mas será fácil escutar gritos ou risadas altas. Se no outro dia a vizinha não respondeu o seu ohayou gozaimasu, pode ser que tenha vacilado no volume.

7. Churrasco

Quem não goste que atire o primeiro pedaço de picanha. Eu adoro. O nosso churrasco não tem comparação e tenho certeza que será uma boa jogada  você organizar um churra e chamar a turma. Contudo, você não pode dar uma de doido e fazer em lugar inapropriado. Parquinho da vizinhança? Nem pensar, mas acredito que isso é normal para a gente aqui também. As vezes, fazer no seu quintal ou na varanda pode também dar uns desentendimentos com a vizinhança por causa da fumaça. É possível fazer junto com o exaustor, mas para ter aquela experiência que só o churra tem, eu recomendo um lugar para liberado barbecue ao ar livre.

Quando era criança, meu pai juntava a galera e fazia isso no Dote 【土手】que é uma barragem de terra feita ao redor dos rios, e normalmente é um espaço aberto onde o pessoal costuma correr, passear com cachorro, tocar trompete, jogar baseball, etc. (pensando agora, não acharia ruim a mistura de baseball e churassco). Só não esqueça de jogar o lixo no lixeiro ou se realmente for no meio do mato, o certo é você coletar tudo e trazer de volta.

8. Lixo

Falando em lixo, sabia que o Japão é um dos países que mais pratica reciclagem no mundo? Realmente os lixos separados vão em lugar diferente. Eles também tem dias certos para a coleta de lixo. Por exemplo, lixos orgânicos (eles chama de lixo queimável: Moeru gomi 【燃えるゴミ】) é na terça e quinta. Reciclável, nos outros. Eletrônicos, por ai vai. Também tem uma categoria de lixo que se chama Sodai gomi 【粗大ごみ】 que são lixos grandes e as vezes você precisa pagar para poder jogar fora. É um dos motivos que eles gostam de valorizar e utilizar coisas até o fim.

Quando criança, lembro que um amigo meu encontrou playstation e super famicon (SNES) no lixo perto da casa dele. Também tenho lembranças que eu vasculhava lixo seco e já encontrei uma caneta de 8 cores. Relaxa, era bem limpinho. Eles já jogam fora pensando que alguem pode utilizar depois. Parecia mais um caça tesouro.

9. Pirataria

Falando em consumo, isso é um tema importante. Pirataria é algo comum no Brasil. Isso inclui download de jogos, filmes, por ai vai. A gente justifica que é uma falta de oferta no Brasil, desigualdade social, etc. Não to aqui para julgar.

O direito autoral é muito valorizado e protegido no Japão. É por isso também que é mais difícil encontrar músicas ou livros japoneses nos torrents da vida. Normalmente só é em site chineses.

Você encontrará gente por lá que vai curtir um jailbreak no iPhone. Mas tem uma coisa para você tomar cuidado: a internet você está usando. Não baixe essas coisas dentro de uma faculdade ou pode acabar recebendo uns “avisos” formais.  

10. Beijos e abraços 

Não deve ser novidade para você que os japas não tem costume de abraçar, imagine beijinho no rosto! As vezes eles podem sentir que tá invadindo o espaço pessoal deles. Eles até estão começando a ficar mais a vontade com os abraços mas se você dar um beijinho no rosto é capaz de deixa-la com rosto avermelhado – como eu fiquei aos 14 anos e uma garota veio me “cumprimentar”. 

Extra: Cigarro

Quem gosta de um cigarrinho vai ter que se cuidar ainda mais. Apesar do Japão ser um dos paises com mais fumante, existe uma norma social para ser seguida.

A diferença cultural é algo lindo, mas o senso do que é normal é diferente de país a país. Espero que evite cometer esses gafes ao trabalhar, estudar ou passear no Japão – ou até mesmo quando for estar com japoneses aqui no Brasil. Eles valorizam que só gente “consciente” e vão te dar mais valor ainda. Stay golden.

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Parabéns! Ao ler esse texto, você acaba de aumentar 1 nível de cultura 🙂
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